Opinião, Contos & Crônicas

Compartilhe:  
O Paulistano e o Zé de todos os dias. – São Paulo 460 anos
por: Grazy Nazario
05/02/2014

Dois amigos se encontraram na praça no dia do aniversario de São Paulo.

- Oi Zé Antônio tudo bom?

- Tudo sim e você Zé Maria?

- Não to bem não Zé.

- Mas por quê? A nossa terra da garoa esta com o sol brilhando, vamos festejar o aniversario da nossa cidade.

- O que vamos comemorar de São Paulo? – Perguntou Zé Maria.

- Nossa. Muitas coisas – Disse o outro Zé satisfeito.

- Então me diga uma.

- Zé, São Paulo é a terra do trabalhador, aqui todos gostam de trabalhar, tem tudo pra se comprar a qualquer hora e tudo o que é possível se encontrar no mundo encontramos aqui.

- Zé Maria bufou:

- Não, você é ingênuo Zé. A realidade é outra, quem gosta de pegar o metro explodindo de gente, ganhar pouco e precisar sobreviver na cidade mais cara de se viver? Eu trabalho por que sou obrigado, queria mesmo ser herdeiro de algum milionário, de preferência que não pedisse falência.

- Você não esta fácil hoje Zé.

- Eu estou fácil, difícil é viver aqui. – Respondeu Zé Maria indignado.

- Mas por quê? – Perguntou Zé Antônio surpreso. – Olhe que dia lindo! Essa praça maravilhosa, os pássaros. Sampa faz 460 anos, claro que temos que comemorar.

- Então vou lhe dizer o que comemorar. - Zé Maria disse irritado. - Desde que sai da minha casa até chegar nesta praça central contei no mínimo 460 Zés.

- O que?

- Foi o que eu disse, na minha comemoração vou contabilizar todos os Zés da minha vida.

- Não entendi. Zés? – Perguntou Zé Antônio confuso.

- E o que seria isso homem?

- De onde eu venho é normal usar o “Zé” pra indicar alguém que você não conhece o nome. – Zé sorriu ironicamente.

- E daí? – Perguntou o amigo curioso.

- Contei desde que sai de casa, começando pelo Zé da faixa que não tem ônibus, o Zé dos buracos na rua, o Zé fofoqueiro que não para de falar da minha vida, o Zé fura olho que tentou “pegar” a minha mulher, o Zé da conta de Luz, da água, o Zé que roubou o meu celular quando eu estava a caminho daqui...

- Nossa é muito Zé mesmo. – concordou ele.

- Claro que sim, sem falar do Zé do condomínio e o Zé que não me paga em dia.

- Eu entendo a sua revolta meu amigo Zé Maria, mas temos que pensar no lado positivo das coisas.

- Claro que sim. – Ele sorriu ironicamente – Posso falar mais Zés?

Zé Antônio concordou com a cabeça.

- Temos também o Zé do mensalão, e o Zé do quartel do metro, o Zé do rolezinho, o Zé preguiçoso e o Zé que não usa fone de ouvido no ônibus.

- Caramba! Você me pegou agora. – Ele ficou pensativo. - Vindo pra cá de carro eu passei pela via que tem três sinalizações diferentes de quilometragem, acho que fui pego pelo Zé da multa.

- É isso meu amigo, você já entendeu o ritmo da brincadeira. – Disse Zé Maria ao bater em suas costas.

- Mas você encontrou os 460 Zés?

- Vichi Maria! Encontrei mais, pra uma cidade desde tamanho e com tanto dinheiro já ta sobrando Zé.

- Queria dizer mais um Zé, você me permite Zé Maria?

- Claro, fique a vontade a festa é nossa!

- O pior, o Zé idiota! Os contribuintes pra tudo isso funcionar. Vamos embora encher a cara no bar do Zé pra ver se esses outros descem mais fácil goela abaixo.

 

Por: Grazy Nazario. MTB. 74588/SP.

 



Mais notcias relacionadas a Opinião, Contos & Crônicas

• Mulheres de Roma - Quando algo bom acontece é preciso reconhecer
• O diário de uma borboleta
• Virtudes
• Poema aos coríntios
• Aos amigos Sapos, Cigarras e Vagalumes!




Deixe seu comentrio